As casas de apostas online têm conquistado espaço significativo no futebol brasileiro, movimentando milhões de reais anualmente. Conforme reportagem publicada no portal Infomoney, as bets já garantiram mais de R$ 560 milhões em contratos de patrocínio com 14 dos clubes da Série A do Campeonato Brasileiro.
Apesar desse valor expressivo, ele representa apenas uma fração do gigante orçamento de marketing das casas de apostas, que, segundo estudo do Itaú, varia entre R$ 5,8 bilhões e R$ 8,8 bilhões. Esse valor é destinado a diversas ações publicitárias, com o futebol sendo uma das principais vitrines.
Ainda de acordo com o estudo do Itaú, os brasileiros movimentaram mais de R$ 68 bilhões em jogos online nos últimos 12 meses, com R$ 44,3 bilhões sendo pagos em premiações, o que corresponde a 64% do valor total apostado retornando aos vencedores.
O Vasco da Gama está entre os grandes clubes que fecharam acordo com uma casa de apostas. Em maio, o time firmou um patrocínio master com a Betfair, válido até o final de 2025. O contrato irá injetar R$ 115 milhões nos cofres do clube.
O Flamengo, por exemplo, recebe cerca de R$ 105 milhões por ano da Pixbet (valor que irá subir a partir de 2025), enquanto o Corinthians conta com R$ 103 milhões anuais da Esportes da Sorte, além de ganhos adicionais.
Dos clubes de elite, apenas o Palmeiras não possui a marca de uma casa de apostas em sua camisa.
Conforme citado em reportagem do InfoMoney, as empresas do setor estão ampliando sua presença em eventos, competições e até mesmo em naming rights de estádios. O Santos, por exemplo, fechou um acordo com a Viva Sorte para renomear a Vila Belmiro, garantindo R$ 15 milhões anuais até 2034.
No entanto, alguns especialistas ouvidos pela reportagem alertam que os valores pagos pelos patrocínios no futebol podem estar inflacionados.
"São cifras fora da realidade, mas que têm trazido resultados para essas empresas", disse Amir Somoggi, consultor de marketing esportivo da Sports Value. Ele destaca que essas apostas no marketing esportivo têm mostrado retorno, impulsionando o crescimento das marcas no mercado.
"Todas as casas de apostas estão competindo pelo mesmo consumidor e investem para aumentar o reconhecimento de suas marcas", explicou Eduardo Corch, professor de marketing esportivo do Insper.
O especialista compara esse movimento ao de outros setores, como o de eletroeletrônicos, que dominaram o mercado de patrocínios nos anos anteriores, seguidos por bancos e instituições financeiras.